A história do cacau no Brasil se mistura com a história da Bahia. No final do século XIX, a cultura se espalhou pelo sul do estado, trazendo riqueza e transformando cidades como Ilhéus e Itabuna em centros prósperos. A época de ouro atraiu migrantes, construiu mansões e inspirou obras literárias. O fruto era chamado de “ouro negro” e sustentava milhares de famílias.
O golpe da vassoura‑de‑bruxa
Nos anos 1990, a chegada da vassoura‑de‑bruxa devastou a produção baiana, causando desemprego e queda abrupta da renda. A doença, causada por um fungo, ataca as flores e frutos, impedindo a formação das amêndoas. Fazendas foram abandonadas e a região entrou em colapso econômico.
Renovação e cacau de origem
A recuperação veio com pesquisa científica, novos clones resistentes e adoção de sistemas cabruca (cacau sob sombra de árvores nativas). Produtores passaram a apostar em cacau de origem e em chocolates bean‑to‑bar, recebendo prêmios internacionais. Hoje, empresas de processamento em Itabuna e Ilhéus compram amêndoas de todo o país e exportam derivados no valor de cerca de US$ 433 milhões.
Desafios atuais
Mesmo com a retomada, o setor enfrenta entraves: infraestrutura deficiente, seca prolongada e competitividade com outros estados. A recente implementação de um imposto de 18 % sobre exportações (tarifaço) também preocupa produtores. Ainda assim, a Bahia continua referência em sustentabilidade e qualidade.
Para ver como a produção baiana se insere no contexto nacional, visite a página Produção de Cacau. E para entender a crise global que impulsionou os preços em 2025, leia por que o preço do cacau disparou.